MINHA DESGRAÇA.
Por Álvares de Azevedo
Minha desgraça não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar‑me como trata‑se um boneco....
Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro. . .
Eu sei. O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro. . .
Minha desgraça, ó cândida donzela
O que faz que o meu peito assim blasfema,
É ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.
Fonte:
AZEVEDO, Álvares de. Poemas malditos. 3ª. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988.
COMO É QUE SE FAZ UMA DESPEDIDA? NÃO SE FAZ.
BOM, ATÉ A PRÓXIMA, ESTAMOS FECHADOS PRA BALANÇO. OBRIGADO PELA ATENÇÃO.
O ORGANIZADOR, PSEUDO-EDITOR,
paulo vitor grossi
Escrito por (°°) às 11h40