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De repente meus minutos se foram, minha hora acabou, a menina do triciclo tomou um tombo.
Ouço o primeiro canto entre folhas e mosquitos. Vejo as primeiras gotas, os primeiros raios, solto as primeiras palavras.
– Bom dia senhor, o que está procurando ?
E tudo continua a rolar ladeira a baixo. Mudamos de ano mesmo ?
Fé, esperança, paz, fraternidade e mais mil e uma palavras sendo atiradas da boca de rostos comprados, de pessoas com dinheiro até pra enfiar na bunda.
Enquanto isso morre mais uma anoréxica, enquanto isso passa mais uma propaganda de remédios para emagrecer, enquanto isso, mais uma modelo desfila no seu corpo cadavérico e “sensual”.
Enforcados, queimados, atropelados e aquela bandinha que faz sua décima terceira música sobre a Califórnia.
– Você não acha que o Gutierrez é político ?
Me pergunto onde a Ana Turva estaria agora. Tive que largá-la por um tempo, minha própria cabeça dando voltas e voltas já é demais.
Caio e levanto tonto, olho as cordas, o braço vindo, desvio, respiro fundo, tento manter os olhos abertos, mas beijo o chão. Um, dois, três............ de volta outra vez, danço pelos cantos, um, dois, um, dois e tudo acaba...... mais uma vez.
Meus quinze minutos se foram faz tempo, agora tenho uma hora a menos e dou de ombros, como se estivesse alguém me observando e ouvindo tudo isso que fico cuspindo antes de me deitar.