autor 1:

 

Por Raphael Fejão

 

1

 

Faltam quinze minutos para eu dormir de novo. A cidade está nesse chove não molha a dias. Olho para o lado e ela não está lá, você não está aqui, eu não estou lá.

Dou mais um gole no chá seguido de um “aaah” rotineiro e volto a me perguntar se tudo isso vale a pena, quanto tempo irei agüentar ?

Neste começo de ano é mais um que se vai e eu que vou ficando pra variar, cresce mais uma perna torta da minha raíz neste lugar tão comum quanto.... qualquer outro.

Os períodos de florescência no vale da morte são curtos, mas constantes o bastante para fazerem a vida valer a pena. Continuo ali, mexendo os músculos o mínimo possível enquanto gafanhotos e leões continuam sua existência sem sentido porém contínua e sem perguntas, igual a tantas outras pessoas. E há pessoas que fazem isso tão bem.

E é pensando exatamente nisto que ouço o telefone tocar umas cinco vezes e continuo a encarar minha veia pulsante ao lado da minha pinta no braço.

Mais um golinho de chá, só pra variar. Onde estará você agora ? Pra onde ela irá amanhã ? Onde estarei hoje ?

Mais uma vez uma civilização inteira de gafanhotos é restituida pelo forte vento do deserto. Teria sido isso mesmo ? Pra falar a verdade, quem se importa mesmo ?

A gazela nunca teve nenhuma chance mesmo. Certo, chega de animais por hoje. Respiro fundo esperando a chegada do próximo minuto.

         Eu te amo, é verdade.

Eu sei, seu sei, eu sei.

Escrito por (°°) às 00h20


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2

 

Próxima página por favor.

De repente meus minutos se foram, minha hora acabou, a menina do triciclo tomou um tombo.

Ouço o primeiro canto entre folhas e mosquitos. Vejo as primeiras gotas, os primeiros raios, solto as primeiras palavras.

         Bom dia senhor, o que está procurando ?

E tudo continua a rolar ladeira a baixo. Mudamos de ano mesmo ?

Fé, esperança, paz, fraternidade e mais mil e uma palavras sendo atiradas da boca de rostos comprados, de pessoas com dinheiro até pra enfiar na bunda.

Enquanto isso morre mais uma anoréxica, enquanto isso passa mais uma propaganda de remédios para emagrecer, enquanto isso, mais uma modelo desfila no seu corpo cadavérico e “sensual”.

Enforcados, queimados, atropelados e aquela bandinha que faz sua décima terceira música sobre a Califórnia.

         Você não acha que o Gutierrez é político ?

Me pergunto onde a Ana Turva estaria agora. Tive que largá-la por um tempo, minha própria cabeça dando voltas e voltas já é demais.

Caio e levanto tonto, olho as cordas, o braço vindo, desvio, respiro fundo, tento manter os olhos abertos, mas beijo o chão. Um, dois, três............ de volta outra vez, danço pelos cantos, um, dois, um, dois e tudo acaba...... mais uma vez.

Meus quinze minutos se foram faz tempo, agora tenho uma hora a menos e dou de ombros, como se estivesse alguém me observando e ouvindo tudo isso que fico cuspindo antes de me deitar.

 

raphacoimbra@ig.com.br

Escrito por (°°) às 00h19


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autor 2:

Algo Sobre Tempo e Anjos.

Por Diogo Ismaia

 

O passado sussurra amargo meu ouvido,

Das coisas não vividas,

Ilusões feitas e partidas,

Heróis forjados em aço,

Lindos anjos caindo em pedaços.

 

Agora posso ver,

Infelizmente é nebuloso, mas vejo.

Os que viveram errado, sofreram.

As ilusões se repetem e refletem,

Meu aço, já é instransponível.

Anjos que sobem ao céu.

 

Quando o futuro vira passado,

Tudo está perdido, enfim.

Flagro-me suspirando por anjos.

Um triste ciclo recomeça,

Criando um zumbi,

Que perde horas de sono,

Iludindo-se com o inócuo instante,

A perfurar o aço,

E sangrar a paixão pelo anjo.

 

diogis@hotmail.com

Escrito por (°°) às 00h16


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autor 3:

Feliz morador do planeta NG2544.

Por Paulo Vitor Grossi

 

Volto pra casa e tudo continua como deixei.

Nesses tempos de descanso eu tenho frieza.

 

Como folhas e cultivo uma flor tipo cacto.

Ela está feliz, mas não diz.

Ela é como um doce de espinhos.

 

Eu não tenho medo de voltar para outra casa.

Eu também sou feliz.

Sei que ela me ama,

aqui...

No meu planeta:

eu e eu mesmo.

O mundo é meu,

e ele é pequeno...

Como a lua e o sol.

 

pvgno@hotmail.com

Escrito por (°°) às 00h15


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