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autor 1:
ducha fria na madrugada de inverno.
Por Louis Alien
quero meu lugar ali
onde bate o sol
é quente, mas agradável
morno, por assim dizer
quero estar ali
sentir a brisa fresca,
e não a chuva gelada
de doer os ossos
mas não há espaço
para todos nós
muitos nem queriam estar aqui
muitos só queriam chegar aonde estou
existe um portão fechado
estamos todos do lado de fora
vocês nos mantêm longe
vocês querem nos afastar
quero meu lugar ali
onde bate o sol
é quente, mas agradável
morno, por assim dizer
quero o banho morno
no frio da madrugada
e não a ducha gelada
na madrugada de inverno
é direito meu
é direito nosso
alien.louis@gmail.com
Escrito por (°°) às 14h33
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autor 2:
Imagem e semelhança.
Por Diogo Ismaia
Foi-se o tempo da inocência,
Dos pais sempre afáveis,
De conselhos dito inúteis.
E, realmente, àquela época eram.
Lembro-me de correr e pular.
Quanta felicidade na exaustidão..
Meu único medo era o escuro.
Questionava o que seria mais assustador.
Mas por que as crianças crescem?
Já não temo mais só o escuro.
Causa-me calafrios a solidão nele contida.
E também a doença vista em olhos de dia.
Por que as crianças nascem?
Para depois de uma década sorrindo,
Serem apresentadas as garras mórbidas
Do egoísmo endemoniado do nosso ser?
Bom seria ser sempre criança.
E fugir da imagem e semelhança.
Egoístas, falsos e condenados a nossa dor.
Ou seja, cópias do nosso Criador!
diogis@hotmail.com
Escrito por (°°) às 14h32
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autor 3:
Algemas.
Por Antônio Alves Neto
Com a dor afogada nos olhos verdes
pude sentir a falta de não ser um estranho ao espelho.
Jamais as flores foram simples flores,
e meus olhos jamais estiveram ausentes.
Por isso esqueci de mim mesmo durante séculos.
Durante meses chorei e a dor que aqui adormece
é a mesma dor, ela não vai embora.
E com a dor não cresci, apenas adormeci.
Hesitei por não poder suportar, inventar, depender
de uma nova mentira. Desmistifiquei a insônia
e os meus defeitos riram de mim como crianças famintas.
E não fiz uma promessa, impedi-me de pronunciar uma frase.
Não continuo caminhando pois não sei da verdade,
e o que pensam sobre mim é o que construo
com pedras que ardem: minha maior obra até o dia de hoje.
Porém com uma mão enxugo novas pálpebras alheias.
Amanhã irradiarei diferentes luzes.
Errarei e comerei minha estupidez em um único prato.
Beberei o vinho no copo de um homem estranho.
Comerei a carne de qualquer prato.
Assim serei mais forte, creio eu.
Tão forte quanto o escudo que não amortece a pancada
no peito. Tão difícil quanto lamber a própria alma.
E com minhas algemas invisíveis as sinceridades
escaparão entre os finos dedos.
Está é minha única alternativa.
clipto3@hotmail.com
Escrito por (°°) às 14h31
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Atualização!!!
Mais três autores essa semana
Escrito por (°°) às 09h44
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autor 1:
Do meu bairro.
Por Leonardo Monteiro
Um Chevette azul vinha no sentido contrário ao meu. Pensei se daria tempo de atravessar pro outra calçada caso tivesse que fazê-lo. Olhei para o céu. Ia começar outra temporada de chuvas – aqui, nesta primavera, uma chega antes que a outra vá embora. Um grupo de homens trabalhava com uma escada bem alta, colocando no letreiro os nomes dos filmes que entravam em exibição; por isso era sexta-feira. Lá pro lado ao qual eu não estava indo, pessoas que se esforçaram pra ficarem lindas, apenas para passear no Shopping. Imaginei que próximo do valão – mas não tão próximo – que passa junto ao Mall, poderiam construir a entrada para a estação da futura linha 4 do metrô, sentido Santa Cruz. Teria dado tempo de atravessar, mas o meu destino era o ponto de ônibus logo ali na frente, na mesma calçada. O Chevette passou e eu lembrei que uma amiga uma vez me disse que eu tenho cara de Chevette – ela quis dizer que eu tenho cara de quem vai ter esse carro, saca?
Eu precisei esperar chegar ao IFCS, no centro do Rio, para escrever o texto que é sobre Campo Grande. Uma viagem de 1 hora se você não pegar engarrafamento e o ônibus seguir pela seletiva na Av. Brasil.
leoenghawaii@hotmail.com
Escrito por (°°) às 09h42
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autor 2:
Sobre como as coisas acontecem em outro lugar.
Por Marina Queiroz
Só sei que eu estava lendo. A moça do 304 tentava abafar o som do liquidificador pra não acordar o rapazinho, já que ele não tinha aula. É, acho que foi isso. Eu lia e ele procurava a sessão de esportes no jornal. Eu arrumava o cabelo, porque às vezes fica rebelde. Ele colocava a calça... e apertava o cinto. Eu sentei no sofá e fiquei batucando na mesa, porque estava cedo pra sair de casa. Ele estava atrasado e tinha que pegar o ônibus em frente à banca.
- Outono é legal porque as folhas caem de propósito pra gente pisar nelas.
- Na primavera os garis devem ter menos trabalho do que no outono.
Só sei que eu estava tirando o esmalte da unha. Ele devia estar tentando fugir do sol no ônibus. O brinco sumiu. Ele olha pra moça bonita na calçada. O moço entrega papel na rua, mas ninguém pega. Eu fiquei embaixo da árvore esperando as folhas caírem na minha mão, mas nem tava ventando tanto assim. Ele apertou o botão do elevador com o indicador.
- Até que eu pareço com o seu estilo.
- Eu coloco o cadarço do All Star na horizontal, que nem você.
marinaqdias@uol.com.br
Escrito por (°°) às 09h41
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autor 3:
BIBOLOQUE.
Por Regina Pouchain
Empala noe durafeerice apenas quiçocanta debancada exuda que dá para o xujeberibe. Ela jelitenava o ebuloti do xupeleta encendiado de turubina. Que tão? Afroditava um talvez dangoroso espiralado quanto, ilustrando por daqovogar, assim dizer calentências, digravimentos, um suspiro parotal carcomido, axiodental senterado, capólio turdante dele em torno. Alvarado em tantos casos escondio dalperino borejador de suporesas em bando de. Tal que talvez um sentapeia na moça de xunda bem lijeira sentopeiando para más pra baixo o zabrocó flavorices tal que emagreceu de tanto. Ora pois uma farada às pressas sem bloques, contrapés partavonices cruitalancias dondescadesas sombreadas de moldagens xulupetas pertadaças. Apenas baritar. Toderada inclusive claricravado transplenado borrote d´idéias prentes. Jeitejava então umas pacatas brontagens que de mel salitrava. Prensava presto doratolice de beijeberar o cacho dele taraleado de sucumir na botadeira de tanto saculejar dela. Quibamba? Quiçó xoriçando espirrote. Que tão. Quiçó filandeja dalbatenas. Quiço. Quiçó espirrotalnar.
pouchain.regina@gmail.com
Escrito por (°°) às 09h40
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