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Atualização:

Escrito por (°°) às 00h46


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autor 1:

SENHORITA DONA-DE-SI.

Por Zeh Gustavo

 

Tem uma pessoa dentro de mim

que habita distante.

Já foi um dia meu espelho.

Já foi um dia meu caminho.

Caminha hoje embalada por aí.

Virou fantasma. Tornou lembrança.

Que entretanto não me sai.

 

Poema extraído do livro “Idade do Zero”.

(Escrituras Editora, 2005)

 

zehgustavo@yahoo.com.br

Escrito por (°°) às 00h44


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autor 2:

Legião Noturna.

Por Graça Carpes

 

Uma legião deles parece visitar-me, porque a noite estende fios platinados sobre semelhantes almas.

Vejo então Rimbaud em sua estranheza à nevasca e ao brumado aproximar-se, em vulto jovem, frágil.

Ouço Álvaro de Campos a dizer-me:

"Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

Talvez pelo fluxo vermelho que me escorre das entranhas;

ou então talvez pelo silêncio que me banha de estrelas;

ou ainda, quem sabe, por esse caudaloso rio que desce em meus olhos, eles encontrem o reflexo da

cristalina porta entreaberta e me adentrem todos em pesados passos, em pesados passos.

Sinto o olho agudo de Maiakovski a interrogar-me:

"E então que quereis?...

Nada de novo há no rugir das tempestades

Não estamos alegres, é certo,

Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?"

"Por que razão, por que razão?" – insiste, enquanto olho seu intocável olho e deságuam de mim tão tumultuosos mares.

 

http://pulsarpoetico.zip.net

gracacarpes@hotmail.com

Escrito por (°°) às 00h43


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autor 3:

Por Fernanda Lizardo de Sousa

 

Quando ela acariciou meus cabelos, eu sabia que era um sinal claro para beijá-la. E o fiz. Constatei, mais uma vez, o quanto lábios femininos podem ser mais sutis, delicados, macios, doces. Essa situação seria usual, visto que não é inédita, porém, havia um detalhe a mais bem ao meu lado: ele. Foi divertido e, ao mesmo tempo, gostoso ver a expressão de surpresa e de excitação daquele homem sóbrio. Ele oscilava entre petrificado e surpreso - mas estava visivelmente animado com minha atitude (não perdi a chance de
meter a mão entre suas pernas para comprovar). E enquanto minha mão direita se ocupava com o falo, a esquerda envolvia em concha um seio volumoso e muito macio.

Optei por findar o beijo e seguir com ele - estávamos no meio da rua e alguma cautela era necessária.

Fomos ao meu suntuoso apartamento. Eu e ele apenas. Mal entramos e não falamos mais nada. Agarramo-nos no sofá, sedentos e impetuosos. Beijei-o com força e mal me lembro da maneira como arranquei as próprias roupas, tamanha a rapidez com que agi. Levei o corpo ao limite e o gozo veio muito intenso e súbito, acompanhando a surpresa que nos abatera minutos antes.
Na segunda vez, ele me arrastou para a cama. Foi tão intenso quanto antes.
E, quando tudo terminou, ele seguiu para o chuveiro, disposto a lavar o corpo, pois a alma acabara de ser purificada. Tive disposição para fazer-lhe sexo oral (daquele jeito muito peculiar) e, logo em seguida, voltamos aos lençóis.

Após um cochilo de um par de horas, acordei. A sonolência se alternava com a excitação - que cresceu ainda mais quando, ao tocá-lo, notei as veias do pênis irrigadas. Acordei-o com um beijo e uma masturbação sutil. Não demorou para que encaixássemos nossos quadris e preenchêssemos orifícios com secreções, sussurros e pedidos para ir mais fundo. Foi aí que constatei suas habilidades: sabia ser tão competente em posições que exigissem malabarismos quanto em um discreto papai-e-mamãe.
Quando o fim veio, não foi o fim, mas um novo começo. Iniciamos beijos bem leves, só com o tocar dos lábios, dando pequenos estalos como mini fogos de artifício que explodiam em meu clitóris. Explorei-lhe o canto da boca, como em uma bitoca roubada por crianças nada puras. A manipulação dos sexos seguiu individualmente - ele com seus dedos circunflexos e eu com um pequeno movimento vibratório. Gozei antes - ele fez questão de esperar - e, quando sentiu-me envolta em muito líquido, jorrando ápice, colocou-me sobre seu corpo e uniu sexo com sexo, sintonia com sintonia, desejo com desejo.
Aí sim, resolvemos findar - exaustos, mas muito satisfeitos.

Depois de saciarmos a fome dos anseios, matamos a fome do estômago, trocando a carne tenra de suas nádegas redondas e de minha pele sedosa, por uma carne suculenta e ao ponto.
Se o ser humano é mesmo estômago e sexo então, ontem, ficamos completos.

www.cooper.blig.com.br

felizardos@hotmail.com

Escrito por (°°) às 00h42


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