autor 1:

Noite passada.

Por Livia Brazil

 

Ontem te vi de novo. Quem é você, que me olha com olhos suplicantes? Me instiga e continuar olhando, nunca mais desviar o olhar. Me intriga esse mistério, essa busca por algo que não é seu, por algo externo que surpreendentemente encontra em mim. Por que? Como sabe quem eu sou? Como sabe o que sou eu? Como ter certeza de que sou sua certeza? Alguém no meio da multidão que te olha também? Será que é por isso? Será então que você pensa que pra mim, você é minha certeza? Será que pensa que eu penso o que eu penso de você? Será que pra você sou alguém que te olha suplicante? E você é então o que acha intrigante? Qual o elo certo nessa parábola? Mas será isso parábola? Ou uma reta a p0nto de ser desviada? Curvada, talvez. Tanto faz, estou desvirtuando. Fugindo do assunto, sabe?

Mas então, quem és? Porque me persegue com esse olhar promíscuo mas tão gentil. Doce, mas ousado. Ai, não me complique. Minha vida já é por demais confusa sem você. Com sua presença, ou ausência presente. Viu como me embola? Não enrola e me diz. Não me deixe com dúvidas.

Quem é você?

Ou traz logo esse olhar...

 

donzeladealfazema@yahoo.com.br

Escrito por (°°) às 15h02


[]


autor 2:

A verdade.

Por Gilbert Daniel

 

Aconteceu exatamente o seguinte: duas pessoas andavam pela rua, um homem e uma mulher; pai e filha atravessavam a rua quando de repente aconteceu:

Aconteceu exatamente o seguinte: duas pessoas andavam pela rua, um homem e uma mulher; marido e amante atravessavam a rua quando de repente aconteceu:

Aconteceu exatamente o seguinte: duas pessoas andavam pela rua, um homem e uma mulher; ele, vestido de mulher, e um transexual atravessavam a rua quando de repente aconteceu:

 

narrarte@bol.com.br

Escrito por (°°) às 14h59


[]


autor 3:

Janela.

Por Leonardo Monteiro

 

Já perceberam como um sorriso sob a chuva é, de alguma forma, diferente?

Numa tarde de uma primavera chuvosa qualquer, eles eram quatro amigos.

Eles tinham nomes aos quais desconheço; nomes, de fato, não são importantes.

Todos eles se separaram, morreram e, talvez, nem tenham sido felizes.

Mas a felicidade é insignificante frente àquele momento em que eu os vi sorrindo um sorriso lindo, cinza, embaçado.

 

leomoraisrj@yahoo.com.br

Escrito por (°°) às 14h58


[]


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