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Pequenas Razões para Desistir. Por Diogo Ismaia Nem tudo vai dar errado. Mas o suor não tem cor, Para um corpo sem propósito, Trilhando o caminho tão calado. E se corta o pé descalço, Ainda assim não grita de dor. Por ser um poço inóspito, Sequer geme, sequer sente. Apenas se isola. Do frio, do calor. Do ódio, do rancor. E do afeto e do amor. Crendo nem tudo dar errado. Assim faz a sua parte, Pequena parcela de operário, Muito vivo está, afinal. Num desfecho antes desenhado, Tudo se acerta, endireita. Sorri por aquilo que vi. Então segue para a esquerda. Caminho sem suor e sem cor, Isso porque, pra ele, Nem tudo vai dar errado. Escrito por (°°) às 00h36 []
É simplesmente SIMPLES publicar (emailzerohum@gmail.com) na zerohum falar (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=8641481) sobre a zerohum ver (http://zerohum.zip.net/) a zerohum Escrito por (°°) às 00h30 []
Não Seja Boneca. Por JURANDY BOCA-ROXA cabelinhos cabelindos cabo; já chega de dar cabo de mim mesmo, né? não seja boneca agora eu me esparramarei sem pena, viu? antes tinha inimigos invisíveis agora conseguirei maridos mais sensíveis... mas nada estáveis são esses cabelos essas madeixas, não de azeviche, mas de rouge batom não seja boneca mexe, mexe mais, que eu gosto, minha paixão paixão dói, mas o que dói mesmo é esse seu sorriso vem direto no meu estômago, na minha pele, na minha tatuagem... você está na minha carne e não te tiro daí não seja boneca estraçalhado, todo suado e arfando sei o seu sorriso e, adivinha, não é de boneca. Escrito por (°°) às 01h00 []
Fica do lado de fora! Entrei na sala, já não aparecia por lá há algum tempo. Sempre tive a ligeira impressão de que as pessoas ali não gostavam de mim, o que era fato. Minha relação com as pessoas que não são próximas é superficial, e eu sei quando não sou bem-vindo. Não sei porque diabos isso acontece. Normalmente fico meio de lado no meio dessas pessoas, e não existe uma proximidade, parece que evitam se aproximar, que têm medo de mim. Não sou um cara bonitão, mas também não sou o Frankenstein. Já estava de saco cheio daquelas malditas aulas, daquele curso filho da puta, que me obrigava a estar lá, porque se eu cancelasse a matrícula, seria obrigado a pagar uma multa equivalente às mensalidades que faltavam para finaliza-lo. Tinham trocado o melhor professor do lugar por um péssimo, e nesse mesmo dia, descobri que o professor que substituiu o que era melhor tinha levado um pé na bunda. A administração desta merda não dava a mínima para os alunos, trocando os professores da turma quase no fim do módulo derradeiro do curso. Eis que o tal coordenador entrou na sala e conversou com a turma, nos enrolando sobre o fato do novo professor ter sido demitido, e pediu que todos se apresentassem à nova aluna, uma loira alta, de cabelos compridos e olhos verdes brilhantes. Parecia inteligente, e de fato cursava odontologia, às vésperas da formatura. - Caros alunos, apresentemo-nos à colega que chega. - Perguntava o nome de cada aluno e o que fazia da vida, algo que o definisse. Um por um, cada um deles se apresentou. Tínhamos em nossa turma um dentista, um marinheiro, um desempregado, um pintor, uma bailarina. Chegou a minha vez. - Seu nome? - Charles Henrique. - Charles Henrique, você canta em alguma banda? - Não, ainda não. - Você é músico? - Ainda não. - Que tipo de música você ouve? - Eu... - Ah dá pra ver pela sua cara, é óbvio que você é roqueiro. Com esse cabelo... - É. É óbvio.
Continua... Escrito por (°°) às 12h00 []
Continuação: Passou pro aluno ao lado. E todos falaram das suas vidas importantes, seus afazeres importantes e úteis. E eu não. O babaca só se limitou a me perguntar o nome, e a me julgar pela minha aparência. Ninguém percebeu que eu não disse nada sobre mim, o que fazia ou alguma baboseira dessas que eles falavam. Só eu. Depois o imbecil resolveu palestrar sobre o sentimento de felicidade. Daí vieram aquelas perguntinhas retóricas... Me segurei pra não vomitar quando disseram que era algo mais profundo e bonito do que todos os outros haviam dito. - Felicidade é uma reação química. Alguém ficou puto com o que eu disse, discordou veementemente. - É verdade, pode pesquisar. Não resolveu. Tudo que eu dizia alguém discordava, porque meu ponto de vista era curto e grosso. Então aconteceu o pior: o cara teve a cara de pau de perguntar se Deus tinha feito o homem pra ser feliz. Daí ninguém respondeu e ele perguntou diretamente a mim. Que merda, pensei. - Considerando o fato dele não existir... - Mas sem Deus ninguém pode ser feliz! - Eu tenho cara de infeliz? - Você não parece feliz. - Vocês interpretam tudo só pelo que vêem na frente do seus olhos. - o que que você quer dizer com isso? - O professor aqui é você, amigo. - Você não pode falar assim comigo. - E quem me impede? Cansei, levantei. Disse ao coordenador que não estava pagando a porra do curso pra debater sobre felicidade ou Deus e me mandei pra casa. Há horas que o melhor é ficar sozinho. Escrito por (°°) às 11h57 []
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