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“O dente”. Por Paulo Vitor Grossi
sentia-se o cheiro de podre, dentadura; de postiço, de velho com mau hálito; um fedor de cuspe de semanas, de carne preta. Era o dente descolando, e cuspe entrando pelas frestas da prótese... e ele não podia fazer nada, apenas esperar o dia de amanhã – portanto dormir mal – e pela manhã ir correndo pro telefone marcar a emergência no consultório – e todas as que lá atendem já sabem: tá mole. Pobre garoto... o dente já estava amarelão, cheio de massa, diferente em seu esmalte, como um brinquedo porcamente colocado. é guerra. Dor na cara, angústia e melancolia, pois aconteceu a inesperada vergonha! É de dar pena mesmo, e esta história poderia ser incluída na biografia de Jonas C., lembram dele? Claro que não. Realmente é uma pena. Continua, sempre continua o tratamento... Jesus, quando vai acabar? Por quê você não deixa ele em paz? dentro de si ele xingava, e estava doido pra fugir, ouvir “The eternal” e calar-se. logo em público? Soltinho, pendendo apenas encaixado, o dente... pronto pra cair e ficar naquele pratinho de metal dos dentistas, pra fazer barulho de pedra caindo no metal: trinn. Que suplício, minha gente! Pouco depois de ser refeito, ele dá defeito... “Choro como uma criança embora estes anos me tornem mais velho”. “Palavras não podem explicar, ações nada determinam”. eu já percebo que ele está indo embora. miséria. Todas as histórias fazem parte do livreto influência “du róqui”, por Paulo Vitor Grossi. Se desejar receber o livreto inteiro ou mais outro tipo de material meu, fale por: http://ogatofolgado.zip.net/, pvgno2@gmail.com, pvgno@hotmail.com Escrito por (°°) às 11h58 []
Diário Literário. Por Diogo Ismaia Eles cantam, declamam. Por fim morrem. Um poeta que não poetiza, Presumindo o escárnio de seus versos. Não poetiza, Porque não encontra uma poetisa. Abdica, Pois não tem com quem falar. Então, pobre ingrato, Aceita de bom grado, Isto que nesta tarde te ofereço: Uma dica! Torna teu corpo mudo, não fale. Ao invês disso, escreve. Se não tem por quem o fazer, Por que? Propõe-te um compromisso. Faz dos teus dias, tuas horas, glória. Mais proveitoso do que apenas fumar. Mas, eu sei, bem menos prazeroso. Duzentos dias, não mais. Uma por dia é o que fará. Esquece o fatídico "Deus dará". Encontrar-te-ei a noite no cais. Paz.
Escrito por (°°) às 00h34 []
A DOR.Por Wilma Fukuyama
Dói Dói Dói Dói Dói Dói Pelo trem que passou Dói Pelo trem que deixei passar Dói Pelo trem que me atropelou Dói Pelo trem que nem vi passar Dói Pelo trem que nunca mais vai passar Dói muito Como dói Quem dera eu estivesse apenas dodói Escrito por (°°) às 00h36 []
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