o nada, o lugar e a garota.

Por Paulo Vitor Grossi

 

o nada.

não pense aqui,

entre logo.

 

nada.

 

whisky.

 

sei que está escuro, mas

vamos nos disfarçar para

entrar em outro estágio.

vou dormir no meu céu...

vou deslizar nos meus sonhos...

quebrar meus pensamentos,

bloquear meu amor,

até que ela volte...

vou segurar meu choro,

lembrar dela na minha mão

e desenhos esboçados.

até amanhã.

 

...

parte integrante do livreto influência “du róqui”, por Paulo Vitor Grossi. contatos: http://ogatofolgado.zip.net/, pvgno2@gmail.com, pvgno@hotmail.com

Escrito por (°°) às 00h47


[]


Nenhum escritor é completo sem um leitor.

 

Pois bem, leiam! Exponham seus trabalhos e divulguem o veículo pelo qual publicaram.

 

ZEROHUM:

...conteúdo diário organizado por escritores atuais, que conta com o blog http://zerohum.zip.net/, na divulgação de pequenos textos inéditos de autores inéditos.

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Abraço.

Escrito por (°°) às 02h25


[]


Por Livia Brazil
 

As imagens continuavam muito vivas. Passavam em sua mente como um filme sem fim, contínuo, não parava nunca. Ainda podia vez seu sorriso, iluminando todo o quarto. O cabelo cindo no rosto. Ela se irritava, mas fazer o que? Se cabelo era tão liso que não parava preso. Era sua constante reclamação. “A gente nunca ta satisfeito com tudo, né?” ela mesma se entregava. Mas eram poucas as coisas sobre as quais ela reclamava. Do mais, era sempre aquele sorriso imenso estampado em seu rosto. Pouquíssimos os motivos para este desaparecer. Mas eles existiam. Como meninos abandonados na rua, animais usados em testes, seu professor de física quântica ou o cabelo caindo no rosto. Todos problemas irreparáveis, que ela sentia-se incapaz de resolver, por mais que tentasse.

 

Ele não queria acreditar. Como podia? Sentava, levantava, sentava novamente, sem noção do que fazer agora. Como lidar com esse sentimento totalmente novo, completamente inadequado, intensamente angustiante? Há dias atrás podia toca-la, ouvi-la. Sentir sua respiração quente em seu ouvido ao cochichar palavras engraçadas. Era tão divertida! E agora... somente lembranças gravadas como acordes de um blues.

 

Ah! Como queria arrancar tudo do peito, não importando a quantidade de sangue que sairia junto! Se ao menos a tivesse nos braços mais uma vez...

 

Era pra sempre. Eles haviam prometido naquele dia de chuva. As pedras da cachoeira estavam molhadas, podiam cair a qualquer instante. Mas o medo era algo que não conheciam quando estavam juntos. Com muita dificuldade, ela subiu em uma das pedras, abriu os braços e gritou para o vento, o céu, as águas, todo seu amor por ele. Infindável. Ele fez o mesmo, e berrou mais alto ainda, para que os japoneses pudessem ouvir, que a amava mais que tudo. Eterno. Depois pularam lá de cima. Incrível.

 

Tudo passado. Nada mais tinha sentido no presente.

 

“Que seja infinito enquanto dure”. Não é isso? E foi infinito. Mas podia ter durado muito mais, tão mais. Pra sempre, como a promessa.

 

Ele não entendia porque, entre tantas pessoas, tiveram que escolher logo ela. Alma gêmea. Por que?

 

E no dia seguinte, nas páginas dos jornais: “Jovem seqüestrada após assalto é encontrada morta”. Ele não conseguia acreditar. Cadê a eternidade? Onde o infinito?

 

Por que ele não estava perto? Nem adeus pôde dizer. E as lágrimas a escorrer. Memória, única lembrança.

 

Agora, ele está fadado à solidão.

 

donzeladealfazema@yahoo.com.br

Escrito por (°°) às 00h39


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