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Pergunta pra todos os que escrevem, mesmo que só recados ou best-sellers: Escrito por (°°) às 00h29 []
Fúnebre. Por Emerson Ramos Chopin lhe chegava aos ouvidos. O noturno engrandecia-o. Uma taça cristalina caía-lhe elegantemente às mãos. A transparência da taça e seu relevo bem trabalhado não deixava transparecer apenas a bebida nela contida, o labor de um exímio artesão também estivera evidente. Produzira uma peça singular, com certeza, possuída por poucos homens, detentores de grandeza, refino. Pensava... A solidão é a melhor companhia para compartilhar os próprios pensamentos. A cadeira de cedro, o tapete persa, Pietá, As Sabina. Poderosíssimo é o homem; inestimável criatividade e poder possuem. Levou a taça aos lábios. Deixou que o líquido descesse através da garganta, aquecendo seu corpo. Tentando vencer seus próprios desafios herculanos. O ambiente fleumático; era aquilo que precisava. Fora o que sempre possuiu. O luxo encantou-o por toda a vida. Era o que sempre teria; cada toque do violino, cada toque do piano, era especial, era uma vida, estimulava-o a pensar... a falta de cada personalidade, não muitas, que passaram por ele... essa falta... era fúnebre. Engrandecer-se, tornar-se meticuloso. Meu Deus! Se há um Deus, dize-me: qual erro comete esse homem? Desejar, batalhar, conquistar. O instinto faz parte do ser; a racionalidade faz parte do ter. É divino julgar alguém pelo que possui? Etérea é a alma, não o deus. Se fazeis alguma coisa, fazeis pelo que deseja, pelo que vossa alma pede: a alma é o âmago; não decai em erros. O terno italiano, os cabelos penteados milimetricamente, as unhas em formas arredondadas, o coração imaculado. Nenhum erro, estritamente correto, estritamente racional! Quereria ter errado? Não estava apto de responder. O erro constrói, mas errar é conseqüência da fraqueza e Ricardo não fora fraco, em momento algum. Foi um intrépido. Foi desejado e odiado, entretanto sua grandeza destruíra qualquer sentimento que possuiu, em tempo irrisório. Muito perto da poltrona que sentava havia sempre um serviçal. Uma pessoa que diferentemente dele não tivera tanta persistência em obter seus próprios interesses. Que talvez tenha-se entregado às serenidades de espírito, e todavia poderia ser bastante feliz. Pensava... não sabia ao certo qual vida lhe parecia mais agradável. Conseguiu tudo o que desejara, certamente. Contudo não sabia se tinha desejado o melhor. Mas conseguira tudo, isso basta para ele, entretanto bastar nunca foi o suficiente. E mesmo assim sentia uma sutil felicidade, contrastante com uma tristeza melancólica, pelo que nunca teve e poderia ter possuído. Escrito por (°°) às 00h40 []
Cont. Ao seu redor, não apenas um serviçal, mas um mundo: todo, completo, sentimentalista. Existia uma tristeza, uma alegria, uma vivacidade, um grande caráter, um pequeno; e todas as características, completas, sentimentais. Porque o homem é sentimental, e acima de tudo, no estado em que encontrava-se, sozinho, era sentimental. Quanto ao mundo, havia sempre uma mãe que amamentava a sua criança. Havia sempre um pai que brincava com seu filho, mesmo que esse não fosse verdadeiramente seu filho. Havia sempre o amor entra homens e mulheres e entre mulheres e mulheres e entre homens e homens, porque o amor, esse não escolhe raça, sexualidade ou qualquer outra diferença. Porque o Homem é acima de tudo Homem e nenhuma diferença é suficiente para que faça com que um outro não lhe seja comum. E toda essa felicidade transtornava Ricardo de modo insuportável. A ponto de que a bebida a qual tomava não possuía um bom gosto, mas um sabor fúnebre. Gostava a bebida apenas uma vez, nenhuma vez mais o poderia fazer. Assim como a sua taça- grandiosa e vertiginosa- estava só. Pensava as suas últimas lembranças.... Consumavam-se poucas e poucos amores, porque sua ambição fora enorme, consumira todos os seus sentimentos. Raquel, Lorena, Fernando, um homônimo... poucas e poucos realmente, porque a adolescência difícil o tornara mais insensível que parecera outros homens. E estava disposto a vingar-se do sórdido pai que possuiu. Sentia vertigens não apenas a nível corpóreo, mas também anímicas. Todos os grandes homens têm fins nada agradáveis - Julius Caesar, Octavius Augustus, Alexandre, Joana D'arc., Rafaello Sandi. Ricardo terá também tal fim, que da mesma forma que a ambição os tragara, tragará também a qualquer homem. Pois a pretensão é uma virtude, no entanto também é pretensiosa e muitas vezes é alimentada de forma tal, que se torna maior que o maior dos homens. E a taça que acabou de cair de sua mão, esplêndida e grandiosa, exemplificava tudo isso. E mesmo assim a solidão é a melhor companhia para compartilhar seus próprios pensamentos. E mesmo assim os grandes homens, são eles os mais geniais e os mais estúpidos. E mesmo assim o fúnebre reveste todas as vidas, sejam elas breves como a de Ricardo ou longas como as de seus amantes. emersonerivan@hotmail.com Escrito por (°°) às 00h39 []
Mimetismo mental. Por Caulus Ponte Negra Não sei se devo chamar tal coisa, a coisa que vem a seguir, de consciência enlatada ou de mimetismo mental, vez que, as duas expressões se justapõem. Consciência enlatada, como é da ciência daqueles que não a têm (a consciência enlatada!), é tudo aquilo que nos vem pronto e prontamente aceitamos sem objeção alguma. Esse tipo de agir é típico dos dias de hoje. Por que pensar se tem alguém que pensa por nós? Bem mais cômodo é não nos incomodar com o pensar. O livre pensar foi aprisionado, americanizado, europeizado, globalizado. O que se perdeu foi o adquirir próprio. O ver com os próprios olhos e o enxergar com a própria mente e não com os olhos e a mente de quem quer que seja. Já o mimetismo mental é bem mais fácil de ser entendido e compreendido. O corre-corre desses dias correu com os “nossos” ideais. Atribuímos ao mimetismo, em sua verdadeira acepção, a facilidade de alguns animais adquirirem a mesma cor e até o mesmo formato de coisas e outros animais para, com isso, abocanhar a sua presa ou enganar o seu predador. Outra definição para mimetismo (esta da área da medicina) é o repetir de gestos e atitudes como se fôssemos máquinas... Contrariando Carlitos, máquinas é que somos! Bem. Definido o mimetismo em caráter ilustrativo, tomamo-no agora adjetivado: mimetismo mental. Fácil. Muito fácil. A gente se misturou e nossas mentes se misturaram. As idéias? Já não mais sabemos de quem são. Sabemos apenas que já não são nossas. Antes apenas o “Tio Sam” era o vilão de nossas mentes. Agora é todo mundo. Se somos capitalistas, socialistas, ecologistas ou qualquer outro “istas”, o somos não por nossa conta e sim por conta de outros. E que outros dentro dessa miscelânea de opiniões não próprias? Pergunta sem resposta. Pseudo-intelectuais, quem sabe, talvez se manifestem com suas ultrapassadas teorias marxistas, trotskistas, leninistas. Lamentavelmente, também eles, no fundo, sabem o quanto já não pensamos por nós e sim pelos outros e, pregamos aos quatro ventos que sabemos onde está o nosso nariz e achamos até que sabemos votar. Quanta utopia! www.cauluspontenegra.zip.net ou cauluspontenegra@bol.com.br Esta mensagem foi enviada por Caulus Ponte Negra. Para ver o perfil de Caulus, clique em: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=14383499273964912542 Escrito por (°°) às 10h02 []
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