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entrevista: MOSH!
Só quadrinhos rock n'roll!

Parte 1.
zerohum: pra quem não conhece ainda: como tudo começou, qual a proposta da revista?
MOSH!: a idéia da MOSH! surgiu num curso de extensão de Quadrinhos e Animação que eu coordenava e basicamente a proposta da revista era publicar o material dos alunos da primeira turma, que era muito boa! O rock era o ponto em comum entre todos e tem a ver com a independência de fazer algo paralelo à grande indústria. Eu (Renato Lima) e Lobo (que ministrava as aulas de roteiro nesse curso) fechamos o conceito com o pessoal (Mitchell, Lyra e Monstro) e, em um mês, estávamos lançando a MOSH! número 1 no Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte (outubro de 2003) e depois na Cobal do Humaitá (novembro de 2003).
zerohum: como é o processo criativo da MOSH!?
MOSH!: cada autor tem a sua maneira de criar. Mas o processo sempre passa por avaliar a idéia de roteiro, depois o traço a lápis e, se estiver tudo ok com a história (em termos de narrativa e dentro da linha editorial que buscamos), falamos para finalizar e aí pode ser em preto e branco ou cor, o que ficar melhor para aquele autor e para a história em si. Tem gente que já nos manda a história finalizada para avaliação mas isso torna o processo mais complicado caso tenha que alterar alguma coisa, editar algo. No geral, sempre é uma troca de idéias para tornar aquele quadrinho o melhor possível. O grande lance é entender a proposta de falar sobre rock, noite, o cotidiano moderno.
zerohum: falem um pouco do público alvo da revista e como ocorre a interação entre revista (parte visual, escrita) e a parte musical (shows com bandas).
MOSH!: se o conteúdo da revista é quadrinhos de rock (lançando autores novos), nada mais natural do que lançá-la em shows de rock, com bandas novas. O formato foi pensado também para isso, para que pudesse circular nos shows e eventos sem se tornar um problema. O público da revista é o não leitor habitual de quadrinhos e sim o pessoal mais alternativo e antenado, que freqüenta o Odeon, o Odisséia, a Cavídeo, a Outside e a Cinéfila, por exemplo. A grande surpresa é que o público feminino é muito grande, se identifica com o teor das histórias e personagens da MOSH!. Por conta da boa recepção do público, acabamos ampliando o número de shows pelo Estado, indo onde o público da revista está e levando bons shows de roquenrou na bagagem! Além disso, as bandas novas mais relevantes são entrevistadas nas páginas da revista.
Escrito por (°°) às 00h13
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Parte 2.
zerohum: qual a melhor forma de passar uma mensagem: visual, escrita ou as duas?
MOSH!: depende para que público se destina a mensagem. O quadrinho é uma linguagem muito peculiar e complexa mas de fácil assimilação, por isso é tão rica e ainda há bastante coisa a ser explorada. Mesmo com a temática rock, não nos repetimos na revista, sempre há alguma coisa a ser dita, unindo as narrativas escrita e visual. Eu gosto de pensar no quadrinho como uma forma de crônica moderna, que estamos retratando uma época.
zerohum: comentem algo sobre formatos de quadrinhos existentes, tipos de desenhos, distribuição, mercado, desenhistas, bandas etc.
MOSH!: há quadrinhos de todos os gêneros. Antes de tudo, quadrinho é ARTE e como tal deve ser encarada. Se no cinema temos categorias como adulto, infantil, policial, drama etc também é assim com os quadrinhos. O maior problema é achar que quadrinho se resume à super-heróis e mangá, para o público adolescente nerd. Você pode falar de qualquer coisa dentro dessa linguagem e a maior prova disso é o número de revista independentes bacanas no cenário: Tarja Preta, Quase, F, Voodoo e muitas outras que provam que a grande indústria ainda não compreende o que é quadrinho em todo seu potencial (fora uma ou outra editora, como a Conrad). As bandas independentes passam por um problema parecido e creio que posso dizer que o cenário carioca é um dos melhores hoje, com tantas bandas incríveis que nem teria como listar. A solução é criar o próprio mercado, fazendo os eventos e não deixar a peteca cair. Mais do que nunca é a filosofia punk do "faça você mesmo".
zerohum: esboce um panorama da importância dos quadrinhos na Literatura.
MOSH!: acho que a Literatura e o Cinema interagem com os quadrinhos, desde o princípio. Goethe era fã do primeiro autor de quadrinhos como conhecemos hoje, um suiço chamado Rodolphe Topffer. Winsor Mccay deu as bases do cinema de animação na sua obra, no início do século passado. Will Eisner e Milton Cannif tinham narrativas cinematográficas nas tiras de jornais. Neil Gaiman e Alan Moore são autores de best sellers modernos e surgiram nos quadrinhos. Greg Rucka e Ed Brubaker migraram dos romances policiais para as hqs. Luis Fernando Veríssimo sempre flertou com essa linguagem. Grandes filmes foram feitos a partir de quadrinhos, como Estrada para Perdição, Anti Herói Americano entre outros. Não gosto de pensar no quadrinho como algo menor mas que existe e tem a sua importância independente de outras artes, embora possua elementos visuais e narrativos oriundos da Pintura, do Cinema e da Literatura. Mas essas artes agora também possuem/utilizam elementos que surgiram nos quadrinhos modernos. Para mim, quadrinho é tudo.
www.revistamosh.com
Escrito por (°°) às 00h10
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ME ENSINA A NÃO ANDAR COM OS PÉS NO CHÃO.
Por Gisela Gold
“Guarde numa caixa preta tímida canção”. Verso de “Uma Canção Inédita” dos mestres Edu Lobo e Chico Buarque. Ai que bom, que bom que os mestres não nos pouparam de suas declarações de amor musicais trancafiando-as em caixas pretas nos sótãos da vida.
Ainda ouço ao fundo Beatriz, “Me leva para sempre Beatriz, me ensina a não andar com os pés no chão...” Talvez esse seja o hino de todo poeta. Talvez desejemos mesmo tirar o pé do chão e dá muito medo de perder a poesia de vista se botarmos um dedo mindinho que seja no cimento. Quem quer segurança, vai procurar uma caderneta de poupança, não o amor! Por que esse comportamento direitinho, politicamente correto para receber um “não”?! Não adianta fazer escova e pintar os olhos: pra quem ama, beber um “não” da pessoa amada, dá ressaca. A gente fica anestesiado, fica chato continuar insistindo e desliga com medo de falar a última estrofe da música “Ai se eu pudesse entrar na sua vida... “.
Ai, que raiva dessa civilidade pra ouvir um “não”. A gente aceita, fala que tudo bem, a vida é assim mesmo, que a gente entende, não se controla a natureza. Ouve aquela meia dúzia de delicadeza e elogio de quem não quer nos magoar, liga num programa de humor, dá gargalhada e finge não ouvir a campainha da dor.
“Ando devagar porque já tive pressa, levo esse sorriso porque já chorei demais”. Poesia de Renato Teixeira e Almir Satter na voz de Bethânia; talvez eu até repita essa frase com os anos. Ainda não... “Quem sabe ainda sou uma garotinha” e não economize lágrimas no rosto ao ouvir soprar no carro o final de escândalo de Caetano “O grande escândalo sou eu... aqui... só”.
Mas como tudo tem seu limite, a dor não agüenta o grito da ferida e adormece lentamente.
Rasgo aquele poema depois de me perguntar pra que ele nasceu se não foi comido com gosto. Num gesto desesperado tentamos analisar nossos erros e pegar um molde emprestado de uma pessoa mais segura, equilibrada, dona de si, calma. Que arapuca!
Ufa... que bom que essa roupa nova não nos caiu bem. Ainda adoramos a meia velha. Furada, mas a nossa cara. O tempo é sábio e nos mostra que nosso poema é bom e tem gente que gosta dele do jeitinho que ele é. Por que tem muita gente precisando do nosso amor no mundo... inclusive nós!
giselagold@terra.com.br / http//giselagold.wordpress.com
Escrito por (°°) às 00h30
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Leia se goste de ler, leia se gosta de escrever. Escreva, mesmo que por prazer, esporte, ou profissionalmente; o lugar de mostrar é aqui. E se quiser fazer mais de uma vez, sinta-se à vontade.
Anteluz, anteluz.
Por Paulo Vitor Grossi
Anteluz,
o quarto.
Luz vindo do sol da tarde
adentrando o quarto vazio.
E nela, fragmentos de poeira como neve,
flutuando no ar...
Luz,
tablete de feixes brancos
de luz.
Anteluz,
perante a luz...
(Extraído do livro “A (um espécime diferente)”).
pvgno2@gmail.com
Escrito por (°°) às 00h21
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