Escrito por (°°) às 00h14


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o único interesse é a Literatura. É grátis! É pra todos!, escreva conosco! Publique textos de qualquer gênero.

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internet.

 

 

O RESTAURANTE.

Por Gilbert Daniel

 

O copo caiu no chão e se quebrou, jogado pelo braço desatento do homem que, almoçando com um amigo, discutia sobre futebol, religião e política, que não se discutem.

 

O copo quase caiu no chão, o braço desatento esbarrou do homem que, almoçando sozinho, discutia com o garçom sobre a comida servida, falando de um jeito desrespeitoso que não se fala.

 

O prato caiu no chão e se partiu, lançado pela ira do homem enfurecido que, almoçando com a esposa, brigava por uma banalidade qualquer, de um jeito que nunca se deve falar com alguém.

 

A mesa virou no chão com talheres, copos e pratos arremessados pelo corpo do homem que, almoçando sozinho, fora vítima da agressão de alguém desconhecido que ali aparecera e partira a cara do pobre homem, de um jeito que não se faz.

 

O copo se ergueu da mesa, levantado pela mão e o braço, para os lábios daquela mulher que almoçava com o marido estúpido, tagarela e incapaz de notar aquele gesto delicado da esposa que erguia o copo pensando: “ele nunca diz nada que presta!”.

 

breve currículo:

Sou formado em Artes Plásticas pela EBA-UFMG; tenho os seguintes livros, todos inéditos: Imagens (poesia)2000; Poemas em minhas mãos (1997).

Participo do Projeto Leitura para Todos da Faculdade de Letras da UFMG, com textos nos ônibus e produção de livros de coletâneas de poesia, lançado em 2005.

Também já participei de exposições de pinturas e de gravuras, aqui em BH.

Sou professor da rede municipal de ensino de BH.

Contatos: gilbertdaniel@bol.com.br, http://narrarte.zip.net

Escrito por (°°) às 00h07


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Por Bruna Maria

 

o velho,

a ressaca nos cabelos brancos

e os brandos ecos de juventude afora.

a redoma nos olhos

o filtro

nada mais doma a hora, seu tempo

nada mais urge tão lento

quanto os pilotis assombrosos em espavento.

 

desacerto dos quadris de sua senhora...

lástimas redobradas pelo ar.

o velho,

e as lembranças vis a chacoalhar

se confundem entre fatiga e saudade.

às vezes a vida instiga serenidade

outras, surrupia paz e sobriedade.

o velho avista o horizonte

e deita.

fica longe da janela recordando a vida feita

percebendo que ela se esvai

evapora, dilacera e sorrateiramente

sai.

 

www.mensagemdagarrafa.blogspot.com

hermanabruna@hotmail.com

Escrito por (°°) às 00h10


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Deus Ex-Machina

(Para Rogério Fernandes)

Por Eduardo Lacerda

 

Pouco me importa

que a chuva me molhe

se estou à calçada.

 

Mas se estou à calçada

 

(a um passo deste fluxo,

 que me separa do outro

 lado, dessa enxurrada

 que é de lama, mistura

 de água e desta gente

 

 de barro)

 

é por que eu não misturo.

 

E, se por descuido,

um Deus ex machina,

por simples desvio

 

do buraco e da lombada

alterar o meu destino,

eu sigo em frente, parado.

 

Pois ainda que grite

: fiho-da-puta!

ao súdito sem culpa

 

nada secará a água

que

não veio da chuva.

<eduardolacerda@mandic.com.br>

Escrito por (°°) às 00h36


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Moira, a mulher que ainda não existe.

Por Paulo Vitor Grossi

 

Certa vez aconteceu que... ah, deixa pra lá, não irei começar assim. Quem disse que não se pode fazer algo premeditado? É um jogo? Todas elas, as facetas, as realidades alternativas, têm a ver com uma pessoa ou situação? Recria-se teu mundo a partir de um nome. Será feita uma cara, uma vida, um substantivo feminino... não, é a vida. Uma mulher completa e feita através do primeiro ascendente no papel, depois a realidade. Ela já tem sobrenome que imaginei, mas não sabemos quando colocar...

Escrevi isto aqui pra você, Moira. Por você, minha querida, eu entendo: é difícil essa situação. Reunindo pedacinhos, eu estarei sempre com você...

Vestido vermelho, sensual; jogo de plataforma, salto de plataforma... saudade, algo que corrói... Como será a tua paixão, Moira? Você saberá fazer um poema? Qual será a sua concepção de poesia?

Seu poder sobre mim tem aumentado, contrapartida feminina. Sonhos, hora de dormir, músicas e coisas do cotidiano que te lembram, literariamente. E-mails não resolveriam, mas é uma forma interessante de comunicação além do telefone e das mensagens de celular – um romance moderno de pai e filha. Você irá me ligar aos domingos?

Personalização da fatalidade a que supostamente estão sujeitas todas as pessoas e todas as coisas do mundo; parte destinada a cada um; sorte, destino... Destino, fado, fortuna, mero, moura, sorte. Um tipo de mulher morena, vestida de vermelho, que vivia nos rios e nas fontes a pentear seus longos e negros cabelos. Mitologia é seu nome. Há tantos significados etimológicos. Fiquemos perdidos agora, leitores. Esqueçamos! , visualizemos algum estereótipo, estigmas de mulheres, profissões etc. Poderia ser uma dona de casa, simples e conformada; poderia ser uma bem-sucedida executiva; poderia ser uma relaxada atriz ou pintora renomada; poderia ser uma prostituta, com toda a degradação que traz essa palavra; poderia ser nada, uma coisa invisível, poderia ser pura erosão. Depende de vários fatores; dentre eles, sua criação.

Mas não: pensemos em algo maior: uma coisa com significância. Não precisaria questionar o sistema, nem ser radical, sua importância seria espiritual, através de leitura, observação e paciência, obteria uma filosofia. Criaria substantivos, expandindo sua mente tão perecível, daria uma tese de mestrado ou faria programa de sexta na T.V.

Imaginemos essa mulher doméstica, ser perfeito e mutável da natureza viva, se perdendo em coisas mundanas – uma cerveja num bar depois do trabalho é algo ruim ou bom? E se ela acordasse e achasse sua vida muito chata? Ela teria vontade de se suicidar. Seria uma maldade ou a sua libertação? Depende do ponto de vista. A tirar pela sua criação culta e pouco distraída, ela teria maiores questionamentos pendentes. Seria fácil querer morrer já que tudo ao seu redor é diferente. Ela não seria como as pessoas comuns e sem questionamentos – como se pode julgar alguém porque pensa?

Doce menina, há tantas formas de te destruir. Aprendemos, na escola mesmo, a fazer o mal. Como um pai poderia te criar num mundo desses? Os pais também aprendem a destruir as coisas.

Vale realmente a pena sair pro mundo lá fora? O mundo agora é retrô. É a nova onda. É tão ruim pra alguém se situar.

Doce peça de porcelana; mas se te mantenho num aquário de vidro com chaves de prata, você não aprende a se comportar ou viver ou procriar e a passar adiante sua semente, sua essência.

Ou ainda é cedo? Ou você ainda não existe? Já adquiriu uma alma ou não vai acreditar nisso?

Eu sou um futuro pai – atencioso e coruja. Sou eu aqui, escrevendo tudo isso, com você, apenas um bebê nas minhas mãos, seu berço ao lado, e você chorando um pouco. Tomara que um dia leia isso. Agora entendem meus motivos, leitores? Meu medo?

Moira, você irá estudar, crescer, ter um namorado, estudar e não vai deixar nenhum homem idiota estragar você, será sempre forte e superior e a tirar por uma criação atenciosa, delicada e com um pai presente, você será incrível.

Olhe só pra mim, fazendo sua biografia sem você existir... Apesar de tudo, mesmo que você seja o que for, o que quiser, estarei sempre com você, pois o que mais vou querer na minha vida é ver você feliz, minha filhinha. Isso é o que importa, ser feliz. Verdadeiro ideal... nada mais é tão relevante. Nada mais.

 

do blog http://ogatofolgado.zip.net/

Escrito por (°°) às 18h08


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Por Matheus C. A.

 

Àsvezeseuachomesmoquealguémprecisamorrerparaqueacordássemosoexemplonosfariavivereeunãomevejo

longedevocêsuapresençaéindispensávelparamedescreveraquioulánãosoufelizadiferençanãoestáaíéomeu

coraçãoquebemmedizquandovocêestáaquiamesmaimensidãoquesuperamosaodarmosasmãossecolocaentre

nossoscoraçõeseulheentendocomoninguémcoisasvêmevãomasosfilhosdaputasempreestãoláanosesperar

 

matheuscasebre@gmail.com

 

Escrito por (°°) às 22h17


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