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Escrito por (°°) às 00h09


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Casa Própria

Por Gisela Gold

 

Lembrei de uma história de uma manicure que perguntou à psicanalista quanto era a consulta, que ela dava tudo pela cura da filha, nem que tivesse que passar a madrugada fazendo pé e mão.

Imagino como deva ser a vida de um cara ralador que dá a alma e mais alguma coisa para pagar a primeira prestação da casa própria. Aquela que ele prometeu pra mulher amada e junta todo troquinho do mês com ela, e só pode ser com ela.

Não fazendo pouco caso da paixão, sentimento que toma todo ar emprestando e não devolve nem restinho, mas o amor conversa melhor com gente que não tem alergia a compromisso.

O filho está atrasado pra escola, a menina da vizinha morreu, não deu pra adiantar a janta, mas a prestação da casa não pode atrasar, porque ninguém pode jurar que vai dar pra pagar os juros não combinados.

O cara já decorou dia e data de cada acerto da prestação da casa, mas a alegria que dá poder cumprir com o que se prometeu e botar um sorriso no rosto daquela mulher que sempre sonhou com sua própria casa, ninguém vai entender e poder sentir.

Esse pessoal não sente tesão? Ninguém se apaixona e faz loucura? Talvez a paixão seja trocada por aquele amorzinho gostoso de quem é feliz há muito tempo e quer sonhar há muito tempo com aquela que um dia pegou com ele o primeiro tijolo apostando junto no mesmo projeto.

Talvez a loucura boa tenha sido há anos atrás essa aposta que dá certo até hoje. Talvez o celular deles não toque às três da madrugada e não ouçam uma voz fazendo uma proposta super indecente e tentadora, mas ninguém tira a gargalhada de felicidade quando ela recebe um telefonema dele na tarde de folga, pra eles irem no shopping dar uma olhada nos móveis da casinha tão suada e que eles acham, já podem parcelar, mas tem que ser com ela. Tem que ser com ela...

 

http//giselagold.wordpress.com

Escrito por (°°) às 00h10


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Horizontes

Por Brasil Barreto

 

A nave vermelha

sangra a baía

e audaz voa

num azul oceano.

 

Espelhar o que há

entre o rio e o mar

reflexo que brilha

soa música no ar.

 

Fluem nuvens soltas

num solfejo de notas

zunindo nos horizontes

aportamos novas rotas.

 

(...) do livro “Vestígios do tempo (Vinte e Um Poemas Presentes)”.

barretobras@yahoo.com.br

Escrito por (°°) às 02h12


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zematotal@hotmail.com

Escrito por (°°) às 00h08


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O CINEMA, A LIVRARIA, A MÁQUINA DE PIPOCA.

Por Gilbert Daniel

Ele chegou no cinema, entrou na livraria para consultar livros de poemas, encostou na estante. De repente, ouviu a voz do homem atrás do balcão:

– Em que posso ajudá-lo?

Saiu sem responder. Sentiu o cheiro de pipoca na máquina de pop-corn. Deu vontade, mas resistiu. Sentou-se numa cadeira, diante de uma mesinha redonda, pegou caneta e um recibo de farmácia na bolsa e começou a escrever desde o princípio.

"Cheguei ao cinema e logo senti o cheiro das pipocas pulando na máquina de pop-corn. Comprei um pacote delas e uma coca-cola gigante e sentei diante de uma mesinha redonda. Comia com fome e gula, mas levantei ao ouvir uma voz que vinha da livraria: ‘- Em que posso ajudá-lo?’ Entrei lá, olhei ao redor, encostei numa estante cheia de livros. Notei então que era a de poesias. Peguei um dos livros com a mão direita suja de gordura, enquanto equilibrava, na esquerda, a pipoca e a coca gigante. Passei o livro pra mão esquerda e, com a direita livre, peguei uma caneta na bolsa e um pedaço amassado de papel. Comecei a escrever desde o princípio, apoiado sobre o livro, a pipoca e a coca gigante. A mão suja de gordura e a caneta."

gilbertdaniel@bol.com.br

Escrito por (°°) às 00h20


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Conteúdo novo diariamente!

 

O nada, o lugar e a moldura

 

À espera de alguém ela tenta fugir

da espera por quem vai tirá-la dali

De um deslize ela surgiu

um sorriso me pediu

e desapareceu

Em tinta e branco se despiu

em um desenho infantil

e triste se escondeu

 

Você pode dançar pra mim

e muito antes de acordar eu vou te ver sorrir

Você pode dançar pra mim

e muito antes de acordar eu vou te ver dormir

sem mim...

 

"És frágil demais, não me olhes assim

que é triste demais não poder lhe tirar daí"

E de manhã ela sumiu

com um sorriso despediu-se e desapareceu

De tinta e branco se vestiu

seu sorriso me iludiu e se desfez

Eu? E eu?

 

Você pode dançar pra mim?

Muito antes de acordar eu vou te ver dormir

Você vai se lembrar de mim

e muito antes de acordar eu vou te ver sorrir

vou sim...

 

Não chores mais por algo assim

mas se for chorar

que seja por mim

 

(...) do cd “Anteluz”, da banda de rock alternativo Alice.

Escrito por (°°) às 15h07


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Vazio: doença da alma

Por Ronieri Ribeiro Borges

 

Tédio. Inquietude. Vazio. Pouquíssimos são os mortais que ainda não vivenciaram essa didática cruel de aprendizado à força. O que desenvolverei aqui não se enquadra exatamente na definição popular de tédio como conseqüência da ausência de atividade no cotidiano, uma vez que o mais ocupado dos homens pode, sem estranheza, vivenciar esse vazio.

Nesse sentido, ao falar deste tema não poderia deixar de mencionar o estilo de vida que nos é comum nos dias de hoje. Primeiramente, nossa cultura capitalista ocidental trata o homem simplesmente como um instrumento de produção e consumo. A criança é instruída a projetar sua felicidade, ou seu bem-estar no futuro. Assim, arquitetam inúmeros planos para quando acabar o colégio, quando estiver na faculdade, quando começar a trabalhar, quando alcançar uma condição estável, voltando-se sempre para o que ainda está por vir. E, sem percebermos, vivemos para o futuro enquanto os dias passam... e passam.

Partindo da melhor das hipóteses que tudo será alcançado, mesmo com os obstáculos e fracassos do caminho, tenho a seguinte indagação: será que nossas capacidades de realização e aproveitamento ficarão inalteráveis ao longo dos anos? Será que as nossas condições no futuro permitirão vivenciar aquela posição almejada? Ou até mesmo será que nossos gostos e inclinações serão os mesmos?

Mais triste ainda seria imaginar que todo o esforço e dedicação foram para outros, que nem sequer conheceram a árdua obra. Sábio seria refletir sobre a máxima de Horácio: “Por que fatigar tua débil alma com planos eternos?”.

Dessa forma, o indivíduo direciona suas forças para o ter esquecendo-se de enriquecer o interior, já que na lista de exigências do mundo contemporâneo não está inserido o “conhece a ti mesmo” socrático. Logo, o efeito de todo esse complexo fenômeno é de que a monotonia do próprio ser os torna insuportáveis para si mesmos, e, inevitavelmente, o tédio tentará ser preenchido de alguma forma: com drogas, ou depressão, ou com a busca incessante do convívio em grupo para que juntos somem algo, ou ainda com atividades exteriores constantes.

Torna-se evidente, portanto, que esse vazio interno não será preenchido por bens materiais, por atividades que não trabalhem com a essência do ser, nem mesmo com uma pessoa amada. Isso simplesmente por serem coisas que pertencem a dimensões diferentes. Saber vivenciar as pequenas alegrias do dia-a-dia sem projetar uma felicidade inatingível no futuro, buscar o autoconhecimento através de alguma filosofia ou pelo exercício constante de reflexão e auto-análise são algumas saídas para curar essa doença da alma e viver melhor, acima de tudo, no presente.

ronieri@oi.com.br

Escrito por (°°) às 00h32


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